Freud disse um bocado de coisas bastante óbvias, mas que, por ele ter dito, foram tidas como coisas muito geniais. Fuck Freud.
Por exemplo, ele afirmou que uma das maiores fontes de mal-estar para o ser humano, junto com a certeza da morte e a força incontrolável da natureza, é a sua relação com outros seres humanos. Alguém além de Sheldon Cooper não sabe disso? Pergunte a John, Paul e Yoko. Ouça um pouco de Morrissey.
Qualquer um que já tenha depositado sua confiança em alguém que simplesmente ignorou promessas feitas sabe o que é isso – tipo, “tomarei conta dele por você”, uma promessa que se mantém até o momento em que você deixa seu algo muito importante na mão dessa pessoa e… ela o abandona naquela exata situação que você temia.
Freud também dizia que a perda é um dos mais significativos fatores no processo de adoecimento. Porque, segundo a galera que acredita na psicossomática, a doença é um fenômeno bio-psico-socio-ecológico (não necessariamente com todos esses hífens, admito), é resultado de uma conjunção de elementos. Surge quando um acontecimento é tão intenso que a psique do sujeito não consegue oferecer resistências. Mas isso você também já deve ter sentido, sem precisar da ajuda de Freud.
Você fica doente pela falta de alguém. Ou de algo. Não importa se uma pessoa da sua família morreu, se um avião caiu ou se um site vai acabar, não há uma escala universal de valor para as perdas, portanto não há como prever como você vai ser atingido, e ninguém pode julgar a legitimidade dos seus sentimentos. Níguém sabe quanto afeto e quanto esforço podem estar envolvidos em algo aparentemente secundário.
Todo mundo tem um órgão de choque, aquele preferencial para doenças – a garganta, o sistema respiratório, digestório… O corpo fala o que o ser cala. Dejours disse que adoecemos por um outro e para um outro, quando algum elemento desse vínculo entra em colapso.
Enfim, para encerrar sem perder o foco deste post: fuck Freud.
bchenque disse,
Junho 27, 2009 às 8:10 pm
rs, muito bom!
exatamente o que vc exemplificou. melhor teorizar sobre a realidade do que tentar encaixar a realidade na teoria.