Momento narrativo*

Maio 28, 2009 at 1:34 pm (Uncategorized)

Elevador descendo.

Encostada em uma parede, ela encara os próprios pés e se pergunta por que os homens tem essa mania de ficar olhando.

Olhando para ela, ele permanece na parede oposta.

De resto, o elevador está vazio.

Ela tem vontade de falar com ele. Qualquer coisa – mas não repetiria a mesma frase duas vezes. Se estivesse ao seu lado, pegaria na mão dele.

Mentira, não pegaria.

Gostaria de levantar a cabeça e olhar para ele. Fazer contato.

Levanta a cabeça e olha para ele.

Sente o corpo envolvido pelo frio, está mais leve, uma onda bate suave em seu rosto. A água é salgada e só há o oceano, imenso. Todo um estranhamento.

O elevador pára.

Ela sai.

Ele sai.

Vão embora.

* Coisa de Iza

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Rascunho #9

Maio 20, 2009 at 8:42 pm (Rascunhos)

In order to keep this blog going, we are now publishing some old drafts. Things have been a little slow around here due to lack of time and this incomprehensible unstoppable flow of thoughts in poor english. We’re sorry about that and sincerely apologise to all of you. All the three of you.

Now enjoy some meaningless poorly written little amount of random thoughts. Feel free to mock about it and to correct what’s written above – it would be very instructive.

(By the way: if you dislike this post, blame on Iza, who encouraged me to publish it)

Ser uma mulher feia é um crime pelo qual se paga por toda a vida.

Ser uma mulher linda durante a juventude é um crime pelo qual se paga ao envelhecer.  É uma escravidão da qual a idade te liberta. E então você já não tem mais valor.

Veja o caso de Brigitte Bardot. “Eu dei minha beleza e minha juventude aos homens. Agora dou minha sabedoria e minha experiência aos animais”.

O que acontece com um ser tão profundamente objetificado quando ninguém mais o quer?

Quem escreve bem é elogiado por seus textos – o que o leva a continuar escrevendo. O mesmo ocorre com quem desenha, canta, etc…

Se a pessoa deixa de escrever bem e passa a ser criticada por isso, ela pode fugir da perda de seu talento abandonando completamente a escrita. É uma forma de evitar ser confrontada com a dor do próprio fracasso.

E o que faz a pessoa bonita, que era elogiada por ser bonita – a despeito de outras qualidades que pudesse ter? Como ela pode fugir quando o fracasso está inscrito no próprio corpo, no rosto, naquilo que representa objetivamente o seu ser? Digamos, no hardware ao qual está preso seu software?

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Maio 5, 2009 at 10:48 pm (Uncategorized)

Muro de estacionamento em frente ao prédio da pós-graduação da FESPSP - foto tirada em 04/05/2009 ao anoitecer

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