Na Semana de Moda de São Paulo – parte I

Junho 25, 2008 at 1:09 pm (Uncategorized)

Do lado de fora da São Paulo Fashion Week corre uma garota. Baixinha, gorducha, com um jeans mais curto em uma perna, uma blusa velha, de lã preta, cheia de bolinhas, uma bolsa vermelha imensa com um chaveiro da Marilyn pendurado. Ela corre, rubra, os óculos quase caindo do rosto, o cabelo desgranhado, até ser interrompida por um senhor negro bem vestido.

- Moça, você me arranja algum convite?

Enquanto se pergunta porque raios as pessoas têm essa obsessão por comparecer à SPFW mesmo quando não trabalham no campo da moda, esclarece:

- Mas moço, eu nem tô indo para lá.

E sai correndo de novo. Dá a volta em torno do prédio da Bienal, olhando ao redor (“Onde estão os nerds, onde estão os nerds???”), até localizar rostos familiares e identificar o portal místico pelo qual buscava: a entrada para a exposição Star Wars Brasil.

Assim que atravessa as cortinas, a música se inicia. Tã-tã-dãdãdãdã-dã dãdãdãdã-dã dãdã-dãdã [/xD]. À sua frente, uma nave de batalha de Luke Skywalker, com um R2D2 acopladinho do lado de fora. Emoção. Logo adiante, um casal jedi sorri para os visitantes que entram no corredor onde, no primeiro filme da série (o quarto) aparecem pela primeira vez C3PO e seu colega baixinho. No entanto, ainda não é chegado o momento de conhecer os pequenos droides. Nesse corredor estão imagens de storyboard, miniaturas de naves e robôs da Federação e dois painéis: um deles é uma linha do tempo da série - impenetrável para quem simplesmente não entende a história completa formada pelas duas trilogias -, e a outra é uma explicação detalhada sobre os planetas pelos quais os personagens transitaram ao longo dos filmes – interessantíssima para os nerds mais ortodoxos. 

De um lado para o outro da nave caminham guardas imperiais em suas armaduras brancas. É preciso passar por dois deles para chegar à sala seguinte, onde em meio a mais gravuras e algumas imagens dos filmes e making of é possível encontrar As Roupas. Lá estão os trajes de Han Solo, o uniforme de piloto do Luke, o figurino de inverno da Leia, a armadura do Boba Fett e, oh, bonecos em tamanho real de Chewbacca, um outro wookie e um dos ursinhos do episódio VI (o terceiro), aqueles que causam certa repulsa entre os homens em geral. “George Lucas não precisava disso. Imagina, ursinhos! Onde ele estava com a cabeça?”.

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Na Semana de Moda de São Paulo – parte II

Junho 25, 2008 at 1:07 pm (Uncategorized)

Alguns passos e guardas imperiais adiante, na sala seguinte a primeira visão é dourada: C3PO, o andróide de protocolo. Alguns dos primeiros desenhos de estudo do personagem explicitam sua inspiração na robô de Metrópolis, Maria. Atrás dele, surpresa, R2D2. Logo ao lado, seis amostras do figurino de Padmé Amidala - uns mais aristocráticos, com cara de uniforme de colégio britânico, um di-vi-no de festa, e também um com cara de carnaval-bizarro/teatro-kabuki-do-inferno-fashion. O horror é substituído pela decepção de ver que sobre o mestre Yoda há apenas alguns desenhos (um deles particularmente sinistro) e uma imagem em uma tela plana de televisão. Só isso. No quadrante oposto, roupas de Obi-Wan Kenobi e Anakin-já-do-mal, uma mesa com sabres de luz e revólveres. 

Então há uma pequena sala, a última da exposição.

Escura, iluminada apenas por luzes vermelhas, a primeira coisa que se pode notar é uma espécie de mesa presa à parede, com algemas para prender mãos e pés. Um arrepio ao ouvir, naquele ambiente soturno, a respiração metálica. Ao olhar para trás, lá está ele, o mestre do mal, O cara, o filho de Luke na União Soviética: Darth Vader. A iluminação vermelha colabora para dar certo ar de imponência à estátua em frente a qual todos os visitantes querem tirar fotos – sempre com certo ar de solenidade. Ele impõe respeito.

A Experiência chega ao fim.

Quem estava disposto a desembolsar mais um troco – além dos quarenta reais já pagos na entrada – pôde ver uma apresentação teatral chamada Academia Jedi. Quem realmente tinha dinheiro ainda pôde passar na lojinha da Terramedia que ficava à saída do evento, onde estavam à venda recordaçõezinhas de R$5,50 a muito mais de mil reais. Quem tinha poderes jedi pôde fazer tudo isso sem desembolsar nada, apenas usando seus poderes sobre as mentes fracas. Disso não há registros.

Antes de partir, ainda havia uma coisa a fazer.

- Seu guarda imperial, tira uma foto comigo?

Um guarda imperial de cada lado, apontado suas armas contra a velha blusa de lã preta.

- Não-ria.

Gargalhadas.

Ah, A Força!

 

(As imagens a seguir foram retiradas do Flickr do Sr. Francisco Avelino. Eu sugeriria uma passada por lá se conseguisse me lembrar de algum seguidor d’A Força entre meus amigos.)

 

 

 

 

 

 

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Direito de resposta

Junho 23, 2008 at 6:18 pm (Uncategorized)

“Sabe de uma coisa? Talvez aí esteja o problema. Você cresceu em meio a livros. Você vive com livros. Livros são sua vida.”

Absurdo. Só faltou dizer que eu gosto de livros antes mesmo de saber ler!

Alguns dados biográficos:

Minha mãe trabalha em editoras desde que eu era bem pequena. Então desde pequena estive inevitavelmente cercada de livros que ela fez ou que comprou. Em casa, só não temos livros no banheiro e na cozinha.

Sabe o “dia anual de conhecer o trabalho da mamãe/do papai”? Então, eu ia conhecer uma editora. Ia brincar com livros, ouvir histórias lidas deles e ver onde eles eram feitos.

Aliás, hoje eu trabalho com livros.

Eu sempre ganhei livros de presente, não só da minha mãe, mas tabém do meu pai. Apesar de ele não trabalhar na área editorial, tem uma quantidade incrível de livros. A maior parte deles de eletrônica – por isso tenho um infantil sobre a história dos computadores. Maior legal.

Eu conheci meu cafetão enquanto lia Tistu, o menino do dedo verde.

Eu soube da existência de ornitorrincos por meio de um livro que mamãe guardou de quando era pequena.

 Antes de termos a conversa sobre de onde vêm os bebês, minha mãe me deu um livro a respeito.

Durante o catecismo, eu coloria o livrinho de catequese da Paulus para me distrair da aula – a galera de Jerusalém ficava parecendo uma comunidade hippie.

(Alguns livros foi o único pedaço da minha infância que guardei para compartilhar com meus filhos, uma vibe meio “se fez bem para mim, há de fazer bem para eles”.)

“Saia mais, divirta-se mais. Vá a algum lugar que você nunca foi, faça algo que você nunca fez, com alguém com quem nunca saiu, ou saiu poucas vezes.”

Eu tive uns encontros este ano com o filho de um cara que nasceu em uma cidade perto de Liverpool. Chope, Beatles. Ficamos conversando sobre livros.

Livros são parte de quem eu sou. E não dá para fugir de quem se é. Nem com tequila.

“Ou, se você quer continuar com livros, em vez de ler, escreva um.”

Para isso aí eu ainda sou jovem demais. Quando vier o dia em que eu tenha algo a dizer a quem quer que seja, talvez aproveite a oportunidade.

Aos amigos que deram sugestões, meu muito obrigada.

Ao Rafael, um momento de publicidade: http://transmissionsfromalonelyroom.wordpress.com/

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Spoil-me-not: I Love it! We Love them!

Junho 17, 2008 at 12:03 am (Uncategorized)

Este post talvez seja um spoiler para quem ainda não viu Sex and the City. Mas se você ainda não foi ver Sex and the City, então merece um spoiler mesmo.

Há quem torça o nariz para a série e, consequentemente para o filme – afinal, se tem sexo no título, cenas de sexo explícito (raramente) e (oh meu Deus, oh meu Deus!!!) nu frontal masculino (jê-sus!), então não pode ser coisa para boa moça. Mas criticar a Kim Cattrall fazendo sexo com a Sônia Braga, isso ninguém faz – porque né, nem é nu frontal masculino. Lesbianismo é bonito [/androcentrismo].

Tem quem aponte o dedo acusando o consumo excessivo - tanto de sapatos, bolsas, roupas, jóias e afins quanto de homens -, a liquidez dos relacionamentos (ei, Bauman, pega no meu Gikovate e balança). Enfim, muita gente acha que falta afeto. E nada poderia ser mais falso.

Desde as primeiras cenas do filme, que retomam brevemente o que aconteceu com cada personagem no final da série, o público não deixou de manifestar suas reações. Não havia apenas o riso causado por qualquer piada bem calculada. Deu para sentir uma respiração coletiva pausar e ficar presa quando Steve admitiu para Miranda seu adultério. Testas franziram à medida que se tornava claro que Big abandonaria Carrie no altar – era até possível ouvir baixinho alguns “não, não”. Enternecimento geral ao ver Samantha dando comida na boca de uma Carrie debilitada. E não foi só a Charlotte que sofreu a dor da amiga e se revoltou com Big. A relação do público com o que se passava na tela era claramente afetiva. Não foram só as lágrimas. (Nossa, você chora? [/Musa Ruiva]). As reações e comentários manifestados ao longo do filme deixavam claro que os sentimentos eram compartilhados por todos que estavam na sala, confortáveis como no sofá de casa, ao lado de seus amigos e de todos aqueles amigos das fab four de Manhattan.

Quem não acompanha a série não entende: é a amizade. Sim, elas fazem compras, fazem sexo e procuram pelo amor. Mas elas sabem que mesmo que tudo dê certo, no final ficamos nós, garotas. Não é uma questão de feminismo: é estatística. Eles vão embora antes, não importa o quanto se ame e se cuide.

E mais: uma relação de amizade é mais gratuita do que um relacionamento amoroso – pense bem na proporção de filmes, livros, músicas ou mesmo conversas, perguntas em situações sociais: quem aparece mais, o amor ou a amizade? Sendo o relacionamento amoroso tão valorizado e exaltado, parece quase obrigatório encontrá-lo, ou ao menos buscá-lo. Ter um namorado/marido é, digamos, capital simbólico garantido. Ter uma amiga não tem o mesmo efeito social, sobre a amizade não há o mesmo controle. Ainda assim, esses laços são construídos e mantidos, com muito cuidado e atenção.

Que isso não soe como um afronta ao amor romântico, ao relacionamento amoroso: mas a amizade é um sentimento tão especial quanto.

Será que deu para entender mais ou menos?

 

=) Familiar to millions

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Junho 10, 2008 at 5:13 pm (Uncategorized)

A última coisa que eu esperava encontrar em minha caixa de entrada esta manhã era um e-mail do Apollo. E por isso mesmo ele estava lá. (Engraçado, por que isso não acontece com todos aqueles sentimentos bons que se perderam? A volta deles é que realmente seria algo inesperado. Tipo: aula de antropologia, em uma turma de pp, com a pior professora do mundo. De repente, alegria… alegria e esperança… quanto ao futuro!!! ISSO seria inesperado.)

 

Contexto: Apollo era um senhor que fazia faculdade de jornalismo na São Judas quando eu também fazia. Ele se formou. Eu tenho aulas de antropologia em uma turma de pp, com a pior professora do mundo. “Ainda tenho guardada tua crônica (…) Lembra dela? Você me deixou a impressão de que gosta de escrever”.

 

Ler isso me deu vontade de escrever neste blog um tanto empoeirado. Tive vontade outras vezes antes: de contar como é bom tomar tequila (e tubos de ensaio com uma substância vermelha-marrom-preta desconhecida) com amigos; de descrever como foi indescritível a sensação de estar no Parque Villa-Lobos esperando a Macy Gray subir ao palco e vendo a Musa Ruiva, o Rafa e a Rê se dando bem (porque para mim juntar Cásper e São Judas é tão estranho, confuso, sei lá…); de dizer que tive duas aulas com o Lira ao invés de ir trabalhar e foi ótimo; de compartilhar que ouvir e ver um grupo de manifestantes invadindo o Conjunto Nacional me causou a sensação de estar entre a realidade e um pesadelo, mas de um jeito bom, porque eu gosto mesmo é de confusão; de dizer que é muito difícil ver uma amiga chorar e não poder fazer nada para ajudar.

 

Mas não escrevi nada disso porque odeio posts muito pessoais - como é este aqui que escrevo agora, pedindo ajuda. Se você está aqui porque é minha amiga, meu amigo, ou porque digitou “John e Yoko” ou coisa do tipo no Google e caiu neste blog, se veio do Pitacos ou do Apenas, não importa. Me ajude. Compartilhe. Pelos comentários, por e-mail, carta, pessoalmente, tanto faz.

 

Conta: qual foi o livro que mudou a sua vida? Literatura, filosofia, psicologia, sociologia, quadrinhos ou qualquer coisa do tipo. 

Porque eu quero mudar a minha vida também. Anda tudo chato demais.

 

 

 

(Pensa bem, você deve ter um. Só não vale Paulo Coelho, tá?)

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