Maior legal
Sendo realista, a melhor coisa que poderia ter me acontecido às três e meia da manhã de sábado/domingo era encontrar uma conversa entre Steven Pinker e Ian McEwan no caderno Mais da Folha.
A primeira reação foi emocional: o Ian me faz lembrar da Fullpress, onde eu estagiava. Ano passado, no meu aniversário, minha chefe me deu Reparação de presente. “É literatura. E o autor é inglês, então acho que você vai gostar”.
A segunda foi lembrar da professora T. Santoro, do meu segundo ano na São Judas, que lecionava Ciências da Linguagem e nos apresentou o Pinker. O fato de ela sempre parecer a pessoa mais blasé do mundo e de ter feito doutorado (acho) em semiótica na Alemanha não me faziam gostar dela tanto quanto o fato de ela realizar um sonho que tenho desde a infância: não ser notada, por ninguém, em hipótese alguma. Eu escaneei duas revistas em quadrinhos para ela – porque ela não sabia o que fazer quando a xerox se recusou a deixar o material para cópia na pasta dela -, fiquei alguns minutos de frente para a sala toda, durante sua aula, explicando como acessar o material pela internet, ganhei elogios por um texto e até tive uma conversa amistosa com ela durante o lançamento de um livro. No entanto, a cada vez que nos encontrávamos, era como se estivéssemos sendo apresentadas pela primeira vez. A mulher nunca tinha me visto antes. Adorável.
Tudo isso para colocar aqui o link para a tal conversa no site da Folha – ficaria feio fazer um post cujo conteúdo fosse só o link, né?
Dois trechos para motivar a extensa leitura e mostrar um pouco do porquê dessa conversa ser a maior legal:
Pinker – Eu digo que está na grande tradição acadêmica de saber cada vez mais sobre cada vez menos, até você saber tudo sobre nada. O que talvez seja um bom antídoto para meus outros livros, que acho que podem ser criticados por saber cada vez menos sobre cada vez mais, até você saber nada sobre tudo.
(…)
Pinker - Realmente. Há todo um gênero recreativo de cunhagem de palavras para casos em que não apenas você não consegue encontrar uma palavra, como a palavra não existe. Os que conhecem o maravilhoso livro de Douglas Adams e John Lloyd “The Meaning of Liff” [O Significado de Liff"] saberão que eles pegaram um monte de nomes de lugares, de lugares aonde ninguém jamais precisará ir, e os utilizaram no lugar de palavras de que todo mundo precisa, ou conceitos de que todo mundo precisa.
McEwan - Minha favorita é “peoria”: “o medo de não descascar batatas suficientes”.
O que sugere que sempre podemos criar palavras quando temos significados.
Outra foi “abeline”: em uma noite quente e insone, um abeline é aquele canto fresco do travesseiro que sua cabeça ainda não esquentou.
Pinker - Minha preferida é “hextable”, que é o disco na coleção de uma pessoa que o convence de que você nunca poderá sair com ela. Durante anos vivi sob o terror de que minha cópia dos “Greatest Hits” de Gordon Lightfoot seria meu “hextable” [vocábulo em "The Deeper Meaning of Liff"].
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Hoje alguém encontrou este blog na internet procurando por “depois da festa a mari saiu com o tulio”. No-jo.
Do inesperado
Terça-feira, nove e poucas, Duas Caras. Puta novela chata. Alguma coisa precisava acontecer para animar a noite.
Deitada no sofá, conversando com mãe e irmão sobre a nova propaganda da Coca-Cola, que pergunta que é melhor: Maradona ou Biro-Biro. Isso é sério? Biro-Biro?
Enfim, um balanço gostoso, bem suave, acalentava o quase sono de quem dormiu duas horas na noite anterior. Primeiro pensei que fosse meu irmão chacoalhando o sofá (moleque pentelho), mas ele estava longe demais. Mulher de minha época, esse período de alta divulgação científica, depois de dois meses lendo Cosmos, não pude pensar em outra coisa: a casa estava mal-assombrada, lógico. Malditos espíritos zombeteiros! Pulei do sofá.
- O sofá tá se mexendo, o sofá tá se mexendo!!!
Depois de alguns minutos tentando explicar que não estava louca – sem sucesso -, toca o telefone. Minha madrinha: “vocês sentiram? Parece que pegou em vários bairros de São Paulo”.
Foi divertido ver na TV a coisa crescendo minuto a minuto. Na Record: “Vários telespectadores ligaram, e afirmamos: nós, jornalistas aqui da redação, também sentimos. Fiquem tranquilos”. Ah, o jornalismo sentimental.
Na BandNews, com o passar dos minutos: “SP: tremores foram sentidos em bairros da zona sul” – “SP: tremores foram sentidos na zona sul e oeste” – “SP: tremores chegaram ao km2 da Castelo Branco”. Pouco depois já anunciavam que tinha chego ao Rio e a Minas também.
Conversando com colegas de trabalho que falam sobre o assunto com medo, me pergunto: só eu me diverti horrores com isso?
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Falando em forças da natureza, o último da Madonna
“Sometimes I think what I need is a you intervention, yeeeeeah” xD
Fading

“As pessoas ainda vêm aqui me perguntar coisas. Elas acham que eu tenho cara de monitora.”
“Você vai sempre ser lembrada como a monitora da CCG. E isso é bom.”
“Era bom, não era?”
O Passado se define em contraste com o futuro e o presente: é tudo aquilo que já foi, que veio antes do que é, e antes do que ainda vai ser. Sendo o futuro meio anuviado, a comparação mais comum é com o presente - que dificilmente se sai melhor nesse confronto. Um lugar seguro, o passado, porque embora a perspectiva sobre ele possa ser modificada, nada mais no passado em si muda – o que faz dele um lugar muito confortável para se visitar.
Passado. Essa palavra parece jogar tudo para dentro de um baú fechado, isolado, incomunicável. Talvez por isso seja tão difícil admitir que algo faz parte do passado. Quando algo passa a fazer parte do passado? “Acho que é quando algo não se encaixa mais no presente.” E quando você sabe que algo não se encaixa mais no presente? E se a falta desse passado é presente?
“Saudades é quando você sente falta de algo (do passado ou não) e sente um aperto no coração.”
Ele às vezes fica pequeno, muito pequeno.
A vida é uma festa – Momentos
(Só para provar que estou viva. Por enquanto.)
Sábado, festa da Cásper. Sérgio Mallandro sobe ao palco. A vodca sobe à cabeça. Impossível manter o equilíbrio, discernir sons e imagens… até que as mallandrinhas começam a pular no palco, alegremente, em roupas mínimas ao som de Créu. Pausa para uma reflexão: “Ah, então é essa a contribuição das mulheres para a sociedade: peitos e bocetas…” De volta à quase insconsciência.
Domingo, show do Rafa. Show bom. Corpo ruim. Cabeça pior. Maldita vodca.
Segunda-feira, Roda Viva. “Eu nunca participaria desse programa” – “Por quê?” – “Eles fazem essa tomada mostrando a pessoa de cima para baixo. Minhas coxas pareceriam traumaticamente grandes”.
Quinta-feira, aula do Toshio. A tarefa é fazer uma capa para uma revista imaginária.
Quinta-feira, intervalo. Um livro. 968 páginas sobre Beatles. Quatro amigas muito queridas. Mais queridas depois do livro ;)
Quinta-feira, durante a aula de antropologia. Milkshake de café no Café Creme e passeio pela Fnac com a Iza.
Sexta-feira, matando aula da Nanami com a Pô. Cansadas de trabalhar, impedidas de estudar, é impossível refletir. “Nós nunca vamos ficar para a posteridade, Mari!”
Domingo. Chegada ao Shopping Ibirapuera. Iza ganha um álbum fofo das Princesas com algumas figurinhas. Eu ganho um cara mau, vestido de preto, que atende pelo nome de Vader, Darth Vader.
Na loja de brinquedos. “Percebeu que estamos há algum tempo andando pela loja segurando essas bonecas [uma Bela e uma Ariel]?” – “Tá bom, vamos devolver”. Nisso, se aproxima um vendedor “Vocês precisam de ajuda?”. Ao ouvir dois “não, obrigada”, o vendedor se afasta. Gargalhando. “Ele tá rindo da gente…”
Duelo de ícones: Vader e Kitty abelhinha disputam a liderança entre os brinquedos. Bela observa.
No Little Darling. “Será que ele vai pensar que a gente é um casal?” – “Provável…”
“Eu sonhei que estava tocando piano” – “Nerd!” – “…”
“Tá vendo esse vídeo? Então, é da apresentação deles no Shea Stadium. Além de sexys e suados, eles estão MUITO chapados.” – “Os Beatles usavam drogas?????????? Mas eles eram tão bonzinhos!!!!” – “…”
Ao som de I’ve got a feeling. Tiozinho: “Essa música é deles?” – “É sim” – “Tem certeza?, eu não lembro!” – “Tenho sim. É do Let it be” – “Mas eu não lembro!” – “PROCURA, TÁ LÁ NO LET IT BE, LADO A”. – “Eu tenho orgulho de você, Mari!” – “…”
“Putz, e aquele tiozinho dançando muito, bem louco?” – “É um cara assim que a gente tinha que arranjar para você, Mari!” – “Um tiozinho?” – “É!” – “…”
Segunda-feira, aula do José Augusto. O professor fala, empolgado, sobre feminismo. A aluna na carteira ao lado suspira. Ele diz: “O Segundo sexo, da Simone de Beauvoir, é um livro maravilhoso!”. Silêncio. A Terra pára de girar. A fusão de hidrogênio no Sol é interrompida e ninguém percebe (porque ele está a muitos anos-luz de distância). O universo pára de expandir. A aula acaba, tudo volta ao normal. Ou não.
