It’s getting better
Sabe aqueles adolescentes que estão sempre em busca de aprovação? Do pai, da mãe, do grupo? Fazem de tudo para agradar, precisam ser os melhores em tudo.
Me sinto mais ou menos assim em relação à Cásper. Em 2004 não passei no vestibular. Depois entrei na Cásper sim, por transferência, uma coisa meio prêmio de consolação. Odeio prêmios de consolação – especialmente porque ganho muitos.
Daí eu resolvi tentar o Cip. Poxa, maior legal, super queria que desse certo. Um motivo para levantar da cama quatro vezes por semana e me arrastar até lá. Mas nem deu, né? Mais uma não-aprovação na Cásper.
E o prêmio de consolação? Ah, dessa vez não tem, porque eu já ia ficando mal-acostumada…
*
So much. All the time.
Cabou!
Quarta-feira, 21:00. Os formandos se reuniram atrás da cortina do palco enquanto seus amigos e familiares se preparavam para chorar.
Loooooooooocooo, loco-loco-loco-lo-co, EU SOU DA CÁSPER!!!
Ok, era a hora de começar a chorar.
Discurso do Well (curto, simples e bonito), vários discursos depois foi a vez do Lira – discurso looongo, mas muito charmoso pelo jeitinho charmoso do Lira. Ele cantou, os ex-alunos bateram palma… só faltaram o All Star vermelho e alguma menção a Bourdieu. Destaque ainda para a capacidade do PCC de não mudar a mesma cara de quem preferiria estar em qualquer outro lugar do mundo – mesmo que na companhia de Bourdieu, Beauvoir, Bauman e aquele outro nome que ele detestou nos agradecimentos do meu TCC.

Sábado de noite. Todo mundo tão lindo, tão animado para o baile. Necessário dar a devida atenção: o Mocinho estava lindo demais da conta – eita! A Sra. Bakhtin realizou seu sonho de ser a Barbie, e as Vingadoras estavam maravilhosas - certamente a Lígia também estaria.
Vinho branco, fotos de criancinhas, estranhos te agarrando, estranhos pisando no seu vestido…
A maldade, é claro, se fez presente.
Mr. Varella – “Se ela [uma moça de vestido prateado/espelhado] fosse só um pouco mais gordinha, seria uma daquelas bolas de espelho de discoteca”.
Sra. Bakhtin – “Vocês viram quem foi o padrinho da X???” [ok, essa é meio piada interna...]
“Meeeeeeeeu, ela tá grávida????”. Olha, essa não foi maldade, X re-al-men-te parecia grávida. Há testemunhas.
Depois da valsa, a grande surpresa da noite: a bateria da Cásper! Mesmo quando ninguém mais aguentava ficar de pé no meio de todo aquele calor humano, era difícil arrumar coragem para sair antes de a bateria terminar de tocar. Até quem não sabe sambar sambou. E então a bateria começou, acompanhada por todo mundo:
Loooooooooocooo, loco-loco-loco-lo-co, EU SOU DA CÁSPER!!!
Vocês? Não mais.
Norma Jeane Baker
Foi um desafio escolher o que vestir de forma adequada à ocasião. Não ia a um baile, a uma aula do CT ou qualquer coisa do tipo: ia ver Marilyn Monroe. Depois de alguns segundos de reflexão, era óbivio: nada estava à altura. O que me salvou foi o amigo fiel de todo dia: Chanel nº5. Adequado.
Precisando ver a exposição antes de entrar no trabalho, cheguei na Chácara Santa Cecília (local de venda dos ingressos, ao lado da galeria) antes da abertuda da bilheteria – o que, afinal, foi bom: o lugar é lindo, e passei bons vinte minutos assistindo o movimento dos passarinhos e das tartarugas que nadavam tranquilamente no laguinho do lugar.
Aberta a exposição, éramos somente eu e Marilyn, a sós entre as paredes cor-de-rosa. No ar, a voz dela, retirada de trechos de filmes. “We must be over the rainbow!”. Quase isso.
As fotos são mesmo lindas, mas só ganham significado acompanhadas pelos textos nas paredes - pelo que se conta sobre a vida dessa mulher. Órfã, morou com 12 famílias diferentes. Amou muito e pouco foi amada em troca – Joe DiMaggio, os Kennedys, ninguém pôde fazê-la feliz (e, pelo que se sabe, é até difícil dizer que tenham tentado). Consideravam-na burra, pouco talentosa, batiam-na.
Marylin, linda, sabia como a beleza pode ser algo cruel – coisa às vezes difícil de ser entendida por nós, massa de feios, simpáticos e bonitinhos. Ela queria ser mais do que uma mulher bonita. Queria melhorar suas habilidades como atriz e afirmava esperar pelo dia em que as pessoas desejariam ouvir sua música sem desejar olhar para ela.
Na ida para o trabalho, a exposição dava voltas na mente. Não as fotografias em si, a voz ou a história da vida de Marylin, mas o conjunto, que parecia formar uma só idéia: a beleza é triste.

(PS: Marilyn, você está no meu iPobre)
Quatro anos passaram correndo. Aquela noite, que parecia tão distante, havia chegado. O salão estava lindo, as mesas decoradas com rosas vermelhas. As meninas estavam incríveis, Érika, Kaká, Linoca, Carla, Bia, Natália e a Rê, mó bacana.
Várias lembranças dos dois anos compartilhados nas salas de aula e nas rampas da faculdade vinham à mente – uma certa melancolia. Nada que algumas taças de vinho branco não resolvem. Muita maldade havia também, posto que há coisas que não mudam nunca – e tinha o vinho branco…
“Puxa, achei o vestido da F. tão adequado! Porque ela poderia ter escrito vagabunda na testa, mas foi discreta e deixou que o vestido transmitisse a mensagem”.
“A B. tá fantasiada de ameixa gigante, néam? Dizem que é bom pro intestino”.
Durante a apresentação dos formandos, alguns meninos gritaram algo feio quando foi chamado o nome de uma moça que gostava de prestar serviços orais voluntariamente no banheiro do bar.
No telão, fotos de todos criancinhas – o Rei, o Ti, o Gui. Entre as fotos recentes, várias do Sr. Caio. E não é que ele estava por lá, de terno e tudo? Inesperado.
- Vim beber, né?
Como sempre, houve quem desse vexame e saísse da festa carregado – felizmente, nenhum conhecido. “Não sabe beber, toma leite”, diria uma certa amiga.
Fizeram falta a Flávia, amiga freira que está na Itália fazendo seus votos, e o Apollo, que gostava de trocar textos por e-mail. Além do Rafa e da Luara, mas daí a culpa é deles.
No final das contas, maior orgulho de todos, presentes ou não, jornalistas devidamente adestrados.
Um momento Kodak, no extra Mooca, em 2005
Most disturbed
Em janeiro, levei duas horas e meia para me matricular para o quinto ano de jornalismo na Cásper.
Há uma semana, fui pedir um atestado de matrícula. Não constava no sistema que eu havia sido matriculada.
Um fax e uma semana depois, vou buscar o atestado. Ele não tem o ano que estou cursando – “se você quiser que ponha, vai sair como primeiro ano”.
Me ligam no trabalho: me concederam a bolsa de estudos de 50%. Não foi anunciado no site porque… ok, ninguém sabe o porquê.
Quando fui pagar a mensalidade de fevereiro, não constava que eu tinha direito a bolsa – “ninguém tem direito a bolsa só para adaptações”.
De noite sonhei que a Cásper tinha feito um DVD para anunciar quem tinha sido aprovado no CIP. Atores globais, circulando pelo Projac, anunciavam os nomes. Foi o Stênio PedroBino Garcia que anunciou o meu. Que bom que não era um sonho erótico.

No sonho, constava que aquele era o segungo DVD da Cásper em 2008. Se fosse um sonho erótico, o primeiro seria um pornô com o CT.