De matar Glorinha Kalil

Setembro 25, 2007 at 5:43 pm (Uncategorized)

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, foi convidado pela Universidade de Columbia a dar uma passadinha nos Estados Unidos e dar uma palestra no campus, que fica em Nova Iorque. O presidente da universidade, Lee Bollinger, explicou para o programa Good Morning America que ”é muito importante conhecer os líderes dos países que são seus adversários”. Legal.

Pessoas que não concordam com o ponto de vista de Mahmoud foram à universidade se manifestar contra a política que ele pratica no Irã. De fato, não é difícil discordar de alguém que não admite a existência de homossexuais no seu país, ou que gostaria de varrer outro país do mapa. Ameaçar geral com armas de destruição em massa também não é bonito – e é prerrogativa norte-americana, que fique claro. As pessoas se manifestaram contra isso, e elas tinham mesmo esse direito.

Mas o mesmo não pode ser dito a respeito do comportamento de Bollinger.  Na hora de apresentar a palestra de Ahmadinejad à platéia, ele disse que o presidente iraniano “exibe todas as características de um ditador cruel e mesquinho”. Até aí morreu o Neves! Era algo que ele realmente precisava dizer praquele monte de americanos da platéia?

Vejamos: você convida um presidente a sair de seu país, vir dar uma palestra e expor seu ponto de vista em uma universidade; ele vem para esse país do qual ele abertamente não gosta, mas que se diz uma nação democrática; na hora de apresentá-lo, você aproveita o fato de estar cercado de pessoas que compartilham a sua opinião e de ele ser minoria na situação, daí você o ofende.

Glorinha Kalil não aprovaria! É deselegância demais para um primeiro mundo, né? Ainda mais um homem assim, de estudo!

Aguardemos que ele receba um convite para ir palestrar lá no Irã.

As notícias do mundo cansam. Bom mesmo é acompanhar o Plástico Rico.

(Só para deixar bem claro que eu não tenho nada contra americanos, uma foto linda, de um seriado muito mulher pós-moderna-liberada-consumista, o que quer que isso tudo signifique)

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Aeroporto

Setembro 19, 2007 at 3:30 pm (Uncategorized)

Segunda-feira de noite. O trajeto era modesto: Cásper Líbero / casa da amiga Cachinhos. Na Vila Mariana, um assalto a uma unidade do Bradesco. Uma mocinha que nasceu em corpo de mocinho, observando a cena, se manifesta, iniciando um diálogo. Segue resumo de alguns dos momentos mais… mais…. mais….

MNCM – Tem macaco no meio.

Eu para Cachinhos - Macaco? Eles estão usando macacos para assaltar bancos??? Como???

MNCM – Macaco, negro!

Eu para cachinhos – Juro que pensei que ela estava realmente falando de um símio…

MNCM – Mas é, é, é tudo siamês, tudo siamês.

Cachinhos – Preconceito é crime, a pena é reclusão de 1 a 3 anos. É só chamar a polícia, e só precisa de duas testemunhas.

MNCM – Mas é verdade! Vai ver se não tá cheio de macaco na cadeia, é tudo bandido! E na cadeia de mulher? Vai encarar aquelas lébicas te agarrando…

Após alguns momentos sendo ignorada…

MCCM – Eu sou tradutora. E sou professora, viu?

Eu – De criança?

MNCM – Claro que não, Deus me livre!

Eu – Que bom, fico aliviada!

MNCM – Criança de primeira à quarta série não tem aula de história… Mas é assim, bem, é assim… macacos.

A discussão seguiu por vinte minutos, em voz alta. Bem alta. Os outros passageiros do ônibus não disseram nada. Quando descemos, a mocinha que nasceu em corpo de mocinho ainda ameaçou:

- A gente ainda se encontra.

Cachinhos – Espero que sim.

Quando o ônibus ia embora, a mocinha ainda gritou alguma coisa pela janela.

Sem saber como se defender do preconceito do qual certamente é vítima, ela é preconceituosa com os outros também.

Às vezes o mundo te deixa completamente sem esperanças. Mas pessoas como a Cachinhos estão aqui para ajudar a torná-lo um lugar melhor.

Ok, o clipe é meio cafona - mas é pertinente e é poesia.

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Pablo, Juan, Jorge e Ringo

Setembro 10, 2007 at 2:35 pm (Uncategorized)

Uma japonesinha miúda sentada no chão do pequenino auditório do Crown Plaza Hotel, esperando o show começar. Um outro menininho miúdo cutuca o ombro dela e pergunta: minha mãe trouxe macarrão, você quer?

Aquelas duas crianças estavam entre muitos beatlemaníacos que se reuniam naquele lugar para algo incrível, valendo registro no livro dos recordes: a banda cover Beatles 4 Ever ia tocar dezesseis horas seguidas de música. Especificamente: Please Please Me, With the Beatles, A Hard Day’s Night, Beatles for Sale, HELP!, Rubber Soul, Revolver, Sgt. Pepper’s Lonely Heart’s Club Band, Magical Mistery Tour, The Beatles I, The Beatles II, Yellow Submarine, Abbey Road, Let it be, Past Master I e, ufa, Past Masters II. Algo inédito em todo o mundo.

Por culpa do capitalismo porco, excludente, cruel e do mal, o plano entre duas estagiárias era ver só as duas partes do Álbum Branco, uma vez que o ingresso era por show. Ok. O saguão de espera era uma tortura: para onde se olhava, alguém com uma camiseta dos Beatles. “Moço, a sua camiseta é a mais bonita!!!“. “Obrigado, eu estava esperando alguém dizer isso“. Beatlemaníacos são muito do bem. Todo mundo era só sorrisos e gentilezas.

Back in the USSR, Dear Prudence. Todo mundo cantava, gritava e aplaudia a cada música. Quando o músico esquecia a letra, podia acompanhar o público. Não havia como se conter: vamos ver o último show? Não haveria como voltar para casa. Mas quem se importa? Helter Skelter - ele precisa gritar I’ve got blisters in my fingers, ele precisa…. ele gritou, ele gritou!!! Everybody’s got something to hide, except for me and my monkey:Take it eaaaaaaaaaaasyyyy. Ingressos para o último show, a uma da manhã. Nesse meio tempo, TCC na praça Rosevelt, depois de volta aos Beatles. Do lado de fora ainda dava para ouvir a bad little kid moved into my neighbourhood….

Uma da manhã, eles sobem de novo ao palco, sob aplausos do auditório lotado. Mesmo exaustos – I’m sooooo tired era o refrão do grupo -, os músicos não deixavam de lado uma característica que faz toda a diferença em suas apresentações: o bom humor. Não só os integrantes do Beatles 4 Ever tocam muito bem, como têm senso de humor, presença palco e um carisma comparável ao dos fab four – sério mesmo. Conversavam em inglês entre si e com o público, faziam micagens – destaque para o cover do John – e, bom, no caso do cover do Paul, eram bem bonitinhos, mesmo cansados. O cover do George é a instrospecção depressiva personificada. Ou algo assim. E o Ringo teve as manhas de usar uma blusa bufante amarela – a cor do verão.

John pulando no palco.

Ringo: John, take it easy, man.

John, agarrando o microfone: Take it eaaaaaaaaaaasyyyy. Sorry man, it’s automatic!

Depois de dezesseis horas, tocando desde as dez da manhã, às duas e quinze encerram com You know my name (look up the number). Fim da maratona. Agradecimentos, Guiness Book e aplausos longos, seguidos de gritos e mais gritos. E mais aplausos.

É do Brasil!

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Eles apagaram a luz durante Revolution 9. Nas duas outras péssimas fotos, John e Paul – acredite, ok?

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