Dia de princesa
Confesso, nunca fui do tipo nobre. Desde a infância, meus modelos de feminilidade nunca tiveram qualidades típicas de princesas, tais como fragilidade, finesse, frescura, alta sociabilidade, capacidade de dissimular e certa apatia. O negócio era ser a Juma Marruá e arrancar orelha de homem que se chegasse demais.
Assim sendo, enorme foi minha supresa ao me ver diante do espelho, de batom vermelho-puta e coroa. Bonitinha. Fofa [não não, fofa é a P...]. “Sabe que ninguém nunca me disse que eu parecia uma princesa?” A confissão não foi feita ao Netinho, mas à minha personal stylist, que fez o que pode em matéria de cabelo e roupa, me proporcionando um Dia de Princesa. Apesar do All Star e do jeans, convencia.
Mas veja como tudo na vida tem seu sentido. Estivesse de salto alto e vestido, teria perdido meu reino antes mesmo da primeira reverência que recebi naquela noite. Ao desembarcar com minha corte no condado de M. Sumaré, a caminho da carruagem real, um grupo de jovens rebeldes se aproxima. Dispostos a dar um golpe, um deles dá o grito de aviso: “Vamos correr atrás delas”. E então uma das crianças revoltosas leva minha coroa, símbolo máximo da minha nobreza.
Como já foi dito, fosse outro o traje, meu reinado estaria perdido. Mas, sendo mais Juma que Aurora, corri bravamente atrás do rebelde, mesmo contra toda minha falta de preparo físico. E recuperei minha dignidade. A realeza mostrou a que veio, e que fique claro: aqui ninguém ganha nada de mão beijada.

Cupid, Sailor, Pretty Festive Chick, Green Fairy, Audrey and Her Majesty.
Para bons entnddrs, mi plvra bsta
Inspirado por e dedicado à mocinha X
Idéia original: Sra. Bakhtin
Ele estava cansado. Cansado da esposa que não o compreendia depois de tantos anos de casamento, dos filhos insuportáveis, cansado da própria inexperiência em sala de aula, cansado dos alunos e da barba que não convenceu ninguém. Então ele atravessou correndo os corredores da faculdade, agarrou-a e tascou-lhe um puta dum beijo.
Mas ele não viu que, lá no canto, a diretora, o vice-diretor e o ex-diretor os observavam. Há muito eles esperavam pelo flagra daquela putaria.
O ex-diretor, muito velhinho para emoções tão fortes, desmaia.
A diretora grita: Cortem-lhe a cabeça!
O vice-diretor, ponderado, tenta explicar: Veja bem, Shakespeare tratou desse tema, é recorrente, a admiração do aprendiz pelo mestre…
Chega então o professor C: Mas isto é uma sem-vergonhice! É uma questão ética e moral, que pode ser explicada em uma poesia de duas linhas, com rima…
Fumando, F analisa: Juridicamente falando a faculdade não pode ser acusada por assédio sexual. Afinal, a garota é de maior, e o cara também, então se eles vão ficar de putaria…
E lá vem C de novo: Mas isso é pertiente? É poesia?
P amassa os cachos, sorri e comenta: a-do-ro!!!
V olha, sorri, e diz para P: Olha que gracinha! Gente, isso não é fofo? É muito fofo… eles são uns fofos! O creminho do creminho…
T, se juntando ao grupo de observadores, analisa: Na verdade, ela sempre o viu como um símbolo fálico…
D, observando tudo de um canto pensa consigo mesma: Aaaaaaaaaaaa… eheeeeee… iiiiiiiiooooo… uh!
PCC, aos gritos, não tem dúvidas: Isso aí não tem futuro. É só sexo pelo sexo, caralho. E ele é gay, que nem o papa. E os padres. Ele é diagramado em cores demais…
CA vê a cena e passa de sala em sala contando para todo mundo.
Em busca de alguma privacidade, e para fugir dos comentários ao redor, o casal sai correndo loucamente entre os carros da Avenida Paulista.
3.0
E a mídia está por aí dizendo que hoje é o aniversário de trinta anos da morte de Elvis Presley. Bulshit.
O fato é que Elvis está vivo.
Uma amiga me contou que ele está na Argentina. Essa história começou porque, no dia em que ele “morreu”, um cara com o mesmo nome que Elvis usava como pseudônimo entrou na Argentina. Logo, lá está Elvis.
Na Folha online, algumas teorias foram apresentadas. Para a maioria dos depoentes, aparentemente Elvis é um gordo que só pensa em fast-food. Tem um cara que disse algo diferente: “Esta manhã fui ao museu de cera e com certeza vi Elvis. Ele estava imóvel, fingindo ser um boneco de cera, mas não conseguiu me enganar”, afirma Beavis, de Wadsworth, em Ohio. Mas quem confiaria em um Beavis? Só faltou dizer que ele estava acompanhado de um amigo Buthead.
Marcos Mion costumava dizer que Elvis estava em Ubatuba, vendendo parafina para os surfistas.
Pessoalmente, acredito que ele atualmente canta no Bar & Restaurante Domínio do Rei, que fica no Domínio do Rei ( que se parece com o Arizona, ou o Novo México, ou até mesmo com Dakota do Sul). Ele canta Love me tender para quem pagar. O Stu e a Astrid estão sempre por lá.
Seja qual for a teoria, o comentário mais lúcido veio de minha amiga: “é claro que Elvis não está vivo! Que tipo de pai veria a filha se casar com Michael Jackson e não falaria nada???”
De fato….

Snape dança ao som de Elvis
O amor floresce no número 900 da Avenida Paulista
ou Sol e Vento
Era Fátima e era Francisco. Um dia seriam Fátima e Francisco (mas ainda não sabiam). Moravam pertinho um do outro, mas não se conheciam. Conheciam o seu Rafael, dono de uma vendinha, que sempre dava um saquinho cheio de balas para as crianças no dia de seus aniversários. Tinha também o moço que levava e trazia as crianças das escolas da região de perua. Ela estudava em um tradicional colégio de freiras – ele estudava em um colégio público perto donde morava.
Daí, o colegial. Os dois foram parar no Objetivo da Paulista, e quis o Destino, esse cara engraçado, que fizessem uma prova de matemática juntos. Ela notou aquele menino meio surfista que usava o dedo para traçar uma reta, então resolveu emprestar sua régua para ele. Depois disso, devagar e sempre, vieram as conversas no escadão, as aulas assistidas na turma dela. E um dia então ele criou coragem. Debaixo de chuva correu para o Top Center, onde ela esperava pelo namorado Marcelo. Olhou-a nos olhos, respirou fundo, tentou não engasgar e falou: eu gosto de você. [Um coraçãozinho vermelho pulsante se materializa entre os dois]. Ao que ela respondeu: ãhn, e o que mais? [O coração estoura.]
Nove anos se passaram, e novamente a Paulista. Eles se reconheceram, ele anotou o número do telefone do trabalho dela em um livro de matemática. Juntou coragem, ligou para ela, e no mesmo dia… ela foi demitida. O livro, ele emprestou para um irmão que nunca mais o devolveu. Mas desta vez os dois continuaram a se ver.
Em um não tão belo dia, ela decide apostar no jogo do bicho pela primeira e última vez na vida (não que ela o soubesse). Ganhou um troco, e com esse troco fez o teste de gravidez que mudou as coisas. Sim, ela estava grávida, a caçula da família, e agora teria de casar.
Foi em uma quarta-feira, às seis da tarde, em uma capela. Para horror dos tradicionalistas, a noiva chegou antes do noivo. Na ocasião, foram tiradas aquelas que seriam as últimas fotos do pai dela (mas isso eles também não sabiam). A festa foi na casa da mãe do noivo. Marido. O buquê, como manda a tradição, foi arremessado – diretamente em cima do telhado, o que deu certo trabalho. A lua de mel foi em Paraty.
E mais de vinte anos depois eles estão juntos, na saúde, na doença, na alegria e nos dois filhos. Eles não sabiam com certeza se seriam felizes juntos quando casaram, talvez não saibam dizer sinceramente se o são hoje (de verdade, quem sabe?). Mas não sabendo o que faziam, escreveram uma história da qual se orgulham.
Só o que importa mesmo é que, no final, o Amor que você recebe é igual ao Amor que você oferece.

Nove de Agosto
É bastante lugar-comum dizer a uma pessoa, no dia do seu aniversário, o quanto ela é especial e única, que não há ninguém no mundo como ela. Hoje é aniversário da Iza.
A Iza gosta da Hello Kitty, da Pucca e da Mariah.

E ela gosta de Slipknot, Doom e Marilyn Mason também.

Por esse tipo de coisa pode-se tranquilamente dizer que ela é uma pessoa única e especial. Ela é fofa, mas não é falsa (e isso não é para qualquer uma). Ela realmente se importa com os outros. E os outros realmente se importam com ela.
Porque não há ninguém como a Iza.
Ela é fofa sim – mas é muito mais que isso.