A petição

Junho 25, 2007 at 1:55 pm (Uncategorized)

“Boa noite, Tramontina! Eu estou aqui ao lado da Alice, no vão livre do Masp, e nós estamos cercadas de pessoas esperando pelo momento da milésima assinatura. Alice, quantas assinaturas você já conseguiu?”

“Olha Ananda, inicialmente a idéia era juntar mil assinaturas, com o número do rg, neste caderninho aqui. Mas com o apoio que recebi de várias revistas femininas, de comunidades do orkut e através do meu blog, eu já tenho mais de quinze mil nomes e números, de todo o mundo. Mas no caderninho tenho agora 999.”

“É verdade que você recebeu contribuições da Inglaterra, da França e até da Índia?”

“É verdade! O consulado de Portugal, inclusive, me deu um grande grande apoio.”

“Alice, o Tramontina quer falar com você.”

“Olá, Alice! Conte para o nosso público como isso começou.”

“Oi, Tramontina, adoro você, gracinha! Então, tudo começou quando eu conheci esse homem, o Mário. Eu olhei para ele e pensei ‘Well, that’s it!’. Mas ele não está disposto a me dar uma chance, e eu já tentei de tudo! Então eu pensei que, se ele não ligava para a minha vontade, talvez respeitasse uma vontade maior, popular: afinal, a voz do povo é a voz de Deus! Então eu falei pra ele: eu vou fazer um abaixo assinado neste caderninho aqui, e quando eu tiver mil assinaturas você vai me beijar!”

“Isso é que é amor, hein? E agora é o momento da milésima assinatura?”

“Sim!”

“E quem vai dar a assinatura tão importante?”

“É o pai dele, Tramontina. Aqui está o senhor Jobim, pai do Mário. Por que o senhor resolveu apoiar a Alice, senhor Jobim?”

“Olha, tem muito tempo que ela está atrás do meu filho, sabe? No começo achei um pouco coisa de doente, mas logo eu vi que ela é louca por ele, isso sim. Não há nada que ela não faria pelo Mário.”

“Então o senhor acha que ela vai fazer seu filho feliz?”

“Eu sei que sim.”

“Então, Tramontina, este é o grande momento, lá vai o senhor Jobim. Ele está copiando os números do rg e vai assinar… assinou! E agora, Alice, você vai até a casa do Mário?”

“Vou sim, Ananda.”

“E será que ele vai te dar uma chance?”

“Isso eu não posso prever. O que dependia de mim eu já fiz.”

“Obrigada, Alice! Ficamos então aguardando o desfecho desta inusitada história de amor. É com você, Tramontina!”

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Daddy’s surfing USA

Junho 18, 2007 at 5:20 pm (Uncategorized)

Ok, não é beeeem isso. Mas papai foi para os Estados Unidos, a trabalho. Depois das aulas extras de inglês, da correria, do táxi que quase deu pifpaf, do choro contido no embarque e da ceninha da família que nunca ia embora, ele foi. Até julho, ninguém mais vai assistir Discovery Channel, nem comprar cocada de jaca, nem fazer relógio de sol na praia ou aprender junto comigo a fazer tsurus nas vinhetas do Discovery Kids – embora isso tenha já muitos anos. Foi também ao lado dele que aprendi definitivamente qual lado é a esquerda e qual é a direita.

Na infância, no playground, eu e alguma vizinha. O esquema era simples: puxávamos uma corda azul, o gira-gira girava (né?) e nós tínhamos de fazê-lo parar. Com nossas mãos. Eis então que vejo minha amiguinha lívida, olhando para a minha mão – ou para o sangue que escorria dela. Na cena seguinte, papai apertando guardanapo e gelo envolta do meu dedo enquanto corríamos para o hospital – que fica a uns vinte passos do prédio.  O médico mandou contar até mil e eu contei, mas ele ainda não tinha terminado de dar os pontos, fez cara feia e reclamou que eu era inteligente demais (de fato, isso incomoda os homens, algo descoberto posteriormente).

Moral da história: as pessoas por aí confundem a esquerda com a direita.  Eu, que na hora de comer paro para pensar em qual mão vai a faca e em qual vai o garfo, nunca erro a direção, graças à cicatriz  na mão direita

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12 de junho

Junho 12, 2007 at 11:03 am (Uncategorized)

John loves Yoko. And so do I :P

No resto do mundo, 14 de fevereiro é uma data de celebração do Amor por causa de São Valentim, um bispo que realizava casamentos secretamente quando as uniões foram proibidas pelo imperador Claudius II (homem mau!).

Aqui no Brasil, 12 de junho foi a data escolhida pelos comerciantes por causa do desaquecimento nas vendas que acontecia nesse período do ano. Coisa mais nobre!

Seja como for, hoje acaba por ser mesmo o dia em que as pessoas se lembram de como o mundo pode ser mais feliz quando se tenta fazer outra pessoa feliz. Essas mesmas pessoas também podiam se lembrar de fazer mais do que uma outra pessoa feliz, mais de uma vez por ano. Digamos, compartilhando o guarda-chuva com outro pedestre que espera o sinal abrir. Ou tendo paciência com quem fura a fila ou atropela os outros na calçada - as pessoas às vezes têm um dia difícil e só precisam de um pouco de compreensão. Ouvindo-as. Rindo de piadas muito sem graça. O dia fica mais colorido quando as pessoas são mais gentis.

Há quem acredite que o Amor pode mudar o mundo. E há quem tente fazê-lo. 365 dias por ano, oito dias por semana.

(See your sunshine, do disco novo de Paul McCartney, Memory Almost Full. Sabe uma moça bonita, de vestido branco, correndo no campo, com fitinhas coloridas no cabelo que ondula ao vento? Então, é isso aí.)

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Como fazer amizades no Subway versão nerd

Junho 5, 2007 at 3:45 pm (Uncategorized)

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Moça querida e Pop Rickman – AKA Alan Rickman na era da reprodutibilidade técnica.

Moça querida põe o cartão comemorativo de seu vigésimo aniversário na mesa.

Homem olha e comenta: como assim “era da reprodutibilidade técnica”?

Sra. Bakhtin: é Walter Benjamin.

Homem: quem?

Sra. Bakhtin: é da teoria da comunicação.

Homem: como?

Senhorita F: teoria da comunicação é o seguinte…

A Cásper, feliz aniversário Pô!, cria pequenos monstros.

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It was forty years ago today

Junho 1, 2007 at 2:28 pm (Uncategorized)

Platypus on the table with mustache: ornitorrincos também ouvem Beatles

Quando você fica de saco cheio por ser você mesma, se torna uma pessoa chata. Quando os Beatles ficaram de saco cheio por serem eles mesmos, eles fizeram o Sgt. Pepper’s.

Lembro da primeira vez em que ouvi Lucy in the sky with diamonds. Baixei a música no Napster, ela veio só pela metade, mas foi o que bastou. “Mãe, meu, o que é isso?” Nunca tinha ouvido nada parecido. Até o dia em que ouvi o disco inteiro em mp3. Incrível. Incrível e surpreendente em plenos anos 2000. Fiquei imaginando qual teria sido a reação de cada pessoa que ouviu aquilo pela primeira vez nos anos sessenta, cada revolução pessoal que se iniciou com a primeira audição daquelas músicas. Inveja.

Quatrocentas horas de trabalho em estúdio. Paul disse que “seria chato simplesmente fazer outro disco dos Beatles”. A premissa era discutível, o resultado foi impecável. O John não gostou muito da idéia no começo, mas todo mundo pode errar, cada um do seu jeito (o Ringo, por exemplo, canta).

Inicio uma campanha: que em dez anos, quando for comemorado meio século de Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, beatlemaníacos de todo o mundo recortem o bigode que vem no encarte do LP.  Que levem adiante o seu dia, ostentando o bigode, como quem assume: o Sargento Pimenta também mudou a minha vida.

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