I used to hate John Lennon

É, confesso: já odiei John Lennon. John Winston Lennon, o próprio, eu já o odiei. Mas apresso-me em reforçar que hoje sou uma pessoa melhor. Uma pessoa que gosta do John. Lennon.
Once upon a time, or maybe twice, ganhei meu primeiro CD dos Beatles – hoje, sete anos depois, já alcancei o vertiginoso número de dois cds, contando apenas os originais, bonitinhos, com encarte e tudo o mais, claro. Pois bem, esse cedezinho contava, como ainda conta, com reproduções das capas dos singles dos Beatles. Olhando uma a uma, observando um a um, perguntei – mãe, quem é este aqui? Ao que ela me respondeu – acho que é o Paul. E ela estava certa.
Foi assim que me apaixonei pelo Paul – ele era o mais lindo. Ah, a juventude e suas escolhas aleatórias. Pois bem, aos poucos fui descobrindo que o Paul, além de ser o mais lindo, também era o mais romântico, e assim minha admiração por ele se sedimentou – porque não sou uma moça durona que fala caralho como se fosse vírgula, isso é só um disfarce. Caralho, o Paul era o meu preferido e, na ânsia de conhecer mais sobre os Beatles, e tendo muito pouco acesso à Internet, colei na Kiss FM. Na época ela tocava Beatles de hora em hora – e classic rock não incluia Pearl Jam… bons tempos aqueles (sorry, my friend). Foi na Kiss que conheci uma musiquinha chamada How do you sleep?. Foda pra caralho.
Uma musiquinha que John escreveu para Paul. Uma musiquinha cheia de ódio. Veja bem:
A pretty face may last a year or two
But pretty soon they’ll see what you can do
The sound you make is musak (musiquinha de elevador, saca?) to my ears
You must have learned something all those years
How do you sleep?
Ah how do you sleep at night?
Triste.
Como o John pôde fazer isso??? Meu coraçãozinho não compreendia como um amigo poderia fazer uma coisa dessas com outro. E, aos poucos, fui descobrindo mais coisas pouco gentis que o Lennon fez. Descobri que ok, ele era genial. Mas era uma pessoa difícil de lidar, temperamental, genioso, cruel quando queria e, pior de tudo, ele era um cara que falava o que pensava. E às vezes ele pensava coisas más. Aos poucos comecei a gostar dele, mas não perdoava-o por ter escrito essa música.
Hoje eu perdôo John (que alívio para ele, não?). Porque agora eu o entendo melhor.
Pelo menos ele não era um bundão que nem o Paul. Continuo amando o Paul, sim, mesmo que ele prefira ser querido e popular a qualquer custo. Mas Lennon tem uma parte de minha admiração que McCartney jamais terá.
“After all is said and done, you can’t go pleasing everyone – so screw it”, disse John certa vez. É isso aí.
Meu querido Diário,
Sou eu, Doug Funnie!
Tá, desculpa a piadinha cretina. Mas eu não resisti x)
Durmo mal, como mal, canto mal, traduzi muito mal um texto, meu TCC está muito mal-resolvido e, Deus-que-me-perdoe, mal confio na minha orientadora. Em meio a isso tudo, foi uma surpresa dar uma pausa no trabalho e, sem querer, sentir meu coração bater. Eu tenho um coração! E ele bate.
Falando em coração, aaaaaaah, Diário, quarta-feira vai ser foda. É o dia em que tenho aula com o homem mais desalmado, impiedoso, cruel e frio do mundo. Na semana passada, eu entreguei a ele a minha prova… com um coração desenhado!!! E não era miúdo não, que eu não sou de regatear nessas coisas. Era taludo, bojudão. Aaaarrgh!!! Nisso é que dá ser uma desenhadora complusiva de corações.
Estou muito mal comigo mesma, se você quer saber – ou mesmo que não queira. Descobri que meu cérebro é masculino. E gosta de homens. É, meu cérebro é gay. Descobri também que meu QI não é tão baixo (mas isso não quer dizer nada). E, qualquer teste que eu faça, o resultado é que, entre os Beatles, eu sou o John. E, entre os álbuns, o Abbey Road.
De sexta-feira pra cá três homens, entre metrô e ônibus, se levantaram e me ofereceram seus lugares. Daí a dúvida: estou tão barriguda que pareço grávida, ou meu ar abobado atesta contra minha capacidade de me manter em pé?
E por que eu sou tão megera com os homens? Por que, principalmente com os Marcelos? E por que isso acontece mesmo com o Marcello que é meu chefe???
Ah, mas uma coisa foi boa: tirei um dez com o Well =) É a primeira vez que tiro um dez de verdade nessa vida – nos outros casos, ou o professor era incompetente, ou queria me comer, ou era ruim de matemática…
Agora eu preciso ir. Espero ansiosamente por amanhã, dia em que tenho a aula mais sexy do quarto ano… [suspiros]
Beijos, diário.
Deixo aqui um clipe que muito me comove, que apreende magnificamente o estado de alma menoscabada de quem passa por este louco ano de TCC.
O cúmulo do nerd
Nerds podem escrever livros.
Nerds podem lançar discos.
Nerds podem produzir debates.
Nerds podem até fazer filhos.
Mas nerds não poderiam, não deveriam criar bichinhos de pelúcia.
O pior é que há quem compre – ou ao menos deseje.
Diga olá para Schopenhauer, Sócrates, Monet, Che, Beethoven e Wagner.

Imagina que coisa feliz dormir abraçadinha a um desses. Tá, alguns eram machistas, outro era anti-semita, um deu nome para certa lanchonete de terceiro andar… mas quem se importa?
Vêm de longe, é verdade, e não são baratos, não não. Fica aí o sonho de consumo.
Malditos nerds!
Just the way you look tonight
Paixão é foda. É aquela coisa que te faz enfrentar um ônibus lotado sorrindo para si mesma enquanto ouve Frank Sinatra cantar The way you look tonight, e ainda aproveitar a freada brusca do motorista para dar um salto voador ao som da música, descendo no ponto errado. Someday, when I’m awfully low, when the world is cold, I will feel a glow just thinking of you and the way you look tonight – e aí você sorri lembrando a carinha de menino bobo dele em algum momento particular. Isso porque, por mais lindo e charmoso que ele seja, existe sempre um top 10 à Alta Fidelidade, com aqueles sorrisos, olhares, aquelas cores que ele vestia, aquele vento bagunçando o cabelo, todos aqueles detalhes bobos e autistas que os apaixonados guardam. And that laugh wrinkles your nose, touches my foolish heart. Ah, aquele sorrisinho meio de lado, será que ele tem consciência do poder que tem esse sorrisinho? Será que tem a mais vaga idéia de como aquela cor lhe cai bem, dos olhares que ele desperta quando se veste daquele jeito? Os pensamentos que ele desperta… Lovely, never ever change, keep that breathless charm. Incrível, é alguma coisa nos olhos, na boca, no nariz, o jeito como ele usa tudo isso enquanto fala. E enquanto não fala. Enquanto te olha. E aquele olhar… Won’t you please arrange it, cause I love you just the way you look tonight. O jeitinho que ele tem de ficar nervoso, tenso, sem graça, de ficar constrangido. Hmm… Hmm… Lindo e charmoso sempre. Mas às vezes é ainda mais especial. Quando daqui a muitos anos ele for lembrado, vai ser do jeitinho que estava naquela noite.
Hmm…
Hmm…
Just the way you look tonight
Etílicas de um sábado à noite
Caipirinha de saquê, chopps, ices, Geni, sex on the beach (sem Carter), cosmopolitan, mojitos, absinto, texto do Xico Sá. Nove seres humanos.
Confusa: “Será que eu sou a menina elefante, grávida há dois anos?”
Geração perdida: “Minha Barbie grávida era um coelho reprodutor” – “A minha era a empregada, porque era a mais feia.”
“Você abre a gaveta e encontra lá dentro três estagiários” – “E um trainee, organizando tudo.”
Em coro: “Eu não daria para o Aécio Neves!!!”
Uma declaração de Amor: “Se sexo matasse, eu morreria com ele dentro de mim.”
Sobre sexo: “Tudo é uma colocação gramatical.”
4 Chopps depois, a coragem: “Eu daria para o Zé Celso.”
Politicamente incorreta: “Imagina o Suplicy dando e falando sobre o Renda Mínima…”
Choque: “Gente, ela não daria para o Raul Cortez!!!”
Indo um pouco além: “Quem você escolheria para dar, entre o Raul Cortez e o Aécio?”
Passando dos limites: “E entre o Lula e o Palocci?”
Sensatez: “Seria muito estranho dar para o Raul Cortez, ele parece o meu pai.”
A Velha Surda d’A Praça é Nossa: “Eu sou a favor do J. entrar com 3 dedos? Poderia ser com 6, mas seria estranho.”
Sobre homens I: “Todos eles comem putas. Todos.”
A bi: “Eu daria muito para a Madonna.”
A uni: “Eu acho… que meu lado masculino… é gay!”
Sobre homens II: “Ele é metrossexual.” – “Ninguém é perfeito.”
“Se ele fosse um pouquinho homem, ele te comia de qualquer jeito.” *
Escrito nas estrelas: “O Destino é um cara que sofre de ejaculação precoce.” – “A-no-ta is-so!!!”
* Nota da wannabe feminista: Mulheres podem dizer não – e homens também. Eles não são máquinas de sexo e seu gênero não é definido por sua boa disposição sexual.