Freak out!
Teste
Neurótico, psicótico ou caso para estudo?
Que tipo de ser humano você está se tornando e qual seu nível de perigo para a sociedade?Pergunta única – Você tem medo das vozes na sua cabeça e do estilo de vida que está levando quando:
a) Elas cantam “Ceeeelebrate good times, come on!” quando você descobre que o quilo onde almoça está oferecendo chá de laranja com gengibre; #felicidade #fail
b) Elas cantam “oooOOOH FREAK OUT!” enquanto você responde a uma enquete sobre peculiaridades suas; #auto-representação #fail
c) Elas respondem o nome do quilo onde você almoça quando te perguntam qual seu restaurante preferido; #vidapessoal #fail
d) Você sonha que está trabalhando – digitando fórmulas matemáticas no Word. Acorda, volta a dormir e continua sonhando com o trabalho, do mesmo ponto em que parou. Repetidas vezes; #elaboraçãoonírica #fail
e) Sofrendo com a redação de dois ensaios, as vozes dizem “eu queria ser o Michael Jackson, porque ele está morto e não tem que passar por isso”; #amoràvida #fail
f) O homem mais gostoso que você vai conhecer na vida está ao seu lado, virilha na altura do seu rosto, mas você nem nota porque está ocupada demais procurando uma palavra em um texto do Foucalt. #sexualidade #fail
Resposta: Se você nunca passou por nada assim, sua superioridade humilha.Se você se identificou com uma das alternativas acima, ainda há tempo! Leia Gigi How e get over yourself.
Se você se identificou com mais de uma das alternativas acima, tem duas opções: entrar para algum grupo de militância anti-manicomial ou torcer para, no futuro, ser salvo por algum deles.
Life #fail
Me enerva
A ilusão de ter poder satisfaz muita gente, né?
Ontem a editora-em-que-trabalho bloqueou o Twitter. O que, além de esperado, não chega a ser um problema real – quem usava continua usando, só mudou a forma de fazê-lo e a legalidade disso. Me pergunto onde o pessoal de sistemas acha que chega com esse monte de bloqueios que impõe aos funcionários.
Há gerentes que usam o Twitter para se comunicar com autores. Eu o uso, inclusive, para ler notícias sobre o mercado editorial e sigo editoras que, olha só, usam o Twitter para se comunicar com seu público.
Daí, hoje, na intranet, há uma notícia sobre um prêmio muito bacana e muito merecido que a editora-em-que-trabalho ganhou. Junto com a nota, um clipping dos sites onde o assunto foi comentado. Entre os vários links, duas contas do Twitter.
(…)
Cansativo.
(Ah, vale lembrar que o WordPress também é bloqueado. E que nem por isso atualizo meu blog em casa)
Freud disse um bocado de coisas bastante óbvias, mas que, por ele ter dito, foram tidas como coisas muito geniais. Fuck Freud.
Por exemplo, ele afirmou que uma das maiores fontes de mal-estar para o ser humano, junto com a certeza da morte e a força incontrolável da natureza, é a sua relação com outros seres humanos. Alguém além de Sheldon Cooper não sabe disso? Pergunte a John, Paul e Yoko. Ouça um pouco de Morrissey.
Qualquer um que já tenha depositado sua confiança em alguém que simplesmente ignorou promessas feitas sabe o que é isso – tipo, “tomarei conta dele por você”, uma promessa que se mantém até o momento em que você deixa seu algo muito importante na mão dessa pessoa e… ela o abandona naquela exata situação que você temia.
Freud também dizia que a perda é um dos mais significativos fatores no processo de adoecimento. Porque, segundo a galera que acredita na psicossomática, a doença é um fenômeno bio-psico-socio-ecológico (não necessariamente com todos esses hífens, admito), é resultado de uma conjunção de elementos. Surge quando um acontecimento é tão intenso que a psique do sujeito não consegue oferecer resistências. Mas isso você também já deve ter sentido, sem precisar da ajuda de Freud.
Você fica doente pela falta de alguém. Ou de algo. Não importa se uma pessoa da sua família morreu, se um avião caiu ou se um site vai acabar, não há uma escala universal de valor para as perdas, portanto não há como prever como você vai ser atingido, e ninguém pode julgar a legitimidade dos seus sentimentos. Níguém sabe quanto afeto e quanto esforço podem estar envolvidos em algo aparentemente secundário.
Todo mundo tem um órgão de choque, aquele preferencial para doenças – a garganta, o sistema respiratório, digestório… O corpo fala o que o ser cala. Dejours disse que adoecemos por um outro e para um outro, quando algum elemento desse vínculo entra em colapso.
Enfim, para encerrar sem perder o foco deste post: fuck Freud.
Momento narrativo*
Elevador descendo.
Encostada em uma parede, ela encara os próprios pés e se pergunta por que os homens tem essa mania de ficar olhando.
Olhando para ela, ele permanece na parede oposta.
De resto, o elevador está vazio.
Ela tem vontade de falar com ele. Qualquer coisa – mas não repetiria a mesma frase duas vezes. Se estivesse ao seu lado, pegaria na mão dele.
Mentira, não pegaria.
Gostaria de levantar a cabeça e olhar para ele. Fazer contato.
Levanta a cabeça e olha para ele.
Sente o corpo envolvido pelo frio, está mais leve, uma onda bate suave em seu rosto. A água é salgada e só há o oceano, imenso. Todo um estranhamento.
O elevador pára.
Ela sai.
Ele sai.
Vão embora.
Rascunho #9
In order to keep this blog going, we are now publishing some old drafts. Things have been a little slow around here due to lack of time and this incomprehensible unstoppable flow of thoughts in poor english. We’re sorry about that and sincerely apologise to all of you. All the three of you.
Now enjoy some meaningless poorly written little amount of random thoughts. Feel free to mock about it and to correct what’s written above – it would be very instructive.
(By the way: if you dislike this post, blame on Iza, who encouraged me to publish it)
Ser uma mulher feia é um crime pelo qual se paga por toda a vida.
Ser uma mulher linda durante a juventude é um crime pelo qual se paga ao envelhecer. É uma escravidão da qual a idade te liberta. E então você já não tem mais valor.
Veja o caso de Brigitte Bardot. “Eu dei minha beleza e minha juventude aos homens. Agora dou minha sabedoria e minha experiência aos animais”.
O que acontece com um ser tão profundamente objetificado quando ninguém mais o quer?
Quem escreve bem é elogiado por seus textos – o que o leva a continuar escrevendo. O mesmo ocorre com quem desenha, canta, etc…
Se a pessoa deixa de escrever bem e passa a ser criticada por isso, ela pode fugir da perda de seu talento abandonando completamente a escrita. É uma forma de evitar ser confrontada com a dor do próprio fracasso.
E o que faz a pessoa bonita, que era elogiada por ser bonita – a despeito de outras qualidades que pudesse ter? Como ela pode fugir quando o fracasso está inscrito no próprio corpo, no rosto, naquilo que representa objetivamente o seu ser? Digamos, no hardware ao qual está preso seu software?
